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Fantasias Secretas I

Naquele dia arrisquei.
O pior que poderia acontecer, era ter de regressar a casa, depois de algumas horas a conduzir, sem ter realizado a minha vontade. Por isso, continuei empenhada em dar largas ao impulso. Meti-me a caminho ao cair da noite, fazendo contas às horas e esperando chegar pouco depois da hora de jantar.
Tinha consciência de que ia numa completa incerteza. Não fazia a mínima ideia se te iria encontrar. Onde procurar. Como procurar. Só tinha uma pista e, segui-la, era um tiro no escuro. Mas podia acertar. Um dia a meio da semana, supus que tivesses treino. Conhecia o nome do clube bastava procurar na internet, pelo telemóvel, a morada e de seguida dar uso ao GPS. Mas isto era o mais fácil. Difícil era saber se realmente lá estarias ou a que horas. Mas fui. Encontrei o lugar e esperei dentro do carro. Pelo que conhecia de ti, irias a pé até casa que não deveria ficar muito longe. Acabei por me rir da situação. Mas tinha de saltar por cima de tudo o que era normal nessa noite e estava disposta a isso. Mesmo parecendo que estava a meio de uma qualquer conspiração.
Sorte minha. Cerca das 21h comecei a ver pessoas a sair e eram quase 21h30m quando te vi a ti. Deixei que passasses pelo meu carro, saí e fui atrás. Em silêncio. Dei comigo a pensar que estava completamente louca e que não ia resultar em nada. Mas continuei. Peguei no telemóvel e indecisa entre ligar ou enviar sms, optei por esta última. Tinha certeza de que não atenderias o telemóvel sabendo que era eu. E eu não uso o número privado.
‘Se eu te disser que estou a poucos metros de ti, acreditarias? Não te vires. É que… estou mesmo. Vim fazer-te um desafio mesmo correndo o risco de não aceitares ou sequer responderes. Tens coragem de te deixar guiar por mim?’
Esperei. Apercebi-me que tinhas puxado do telemóvel mas não conseguia ver se estavas a responder.
A resposta.
‘Coragem tenho sempre. Posso é não ter vontade’.
Porque não me espantaram estas palavras? Tão tuas. Tão provocadoras de vontade. Não desisti.
‘E se eu te criar essa vontade? Porque não deixares-te levar pelo desconhecido e imprevisível? Porque não colocar em actos o que treinámos tanta vez em palavras?’
‘Convence-me.’
Já era um começo. Não te viraste e eu continuei atrás de ti, caminhando calmamente, quase sem fazer qualquer ruído.
‘Venho porque quero dar-te prazer. Ter prazer. Mas no quase anonimato que sempre foi característico. Se aceitares, limitar-me-ei a seguir para onde me leves. A tua casa ou outro lugar que escolhas. Compreendo se tiveres alguma reserva. Fica ao teu critério. Depois de escolheres o lugar e de me aproximar de ti, quero colocar-te um lenço nos olhos e, só então, deixar que me toques. Para que sintas nas pontas dos dedos os meus olhos, o rosto, a boca, queixo, pescoço. Conduzir os teus dedos pelo meu corpo para que me reconheças na tua memória. Aceitas?’
‘Continua. E depois?’
Continuava a seguir-te virando por uma rua e outra, perdendo o sentido de orientação.
‘Depois… num espaço já mais íntimo, só nosso, iniciar o que vim aqui fazer. Mas isso não te posso explicar. Só demonstrar.’
Durante alguns minutos não me respondeste, até que paraste em frente a um prédio. Nesse instante, recebi outra sms.
‘Vem.’
Sorri. Tinha conseguido convencer-te. Que bom. Estremeci nesse momento. Desejava-te. Apetecias-me tanto naquela noite.
Aproximei-me, tirei do bolso o lenço e coloquei-me em bicos de pés para te vendar os olhos, depois de abrires a porta.
‘Olá W.’
‘Olá Su. És louca, sabias?’
‘Sei. Tu deixas-me assim. Louca. E sem controle nos meus actos’.
Entrámos no hall do prédio e subimos as escadas, parando à porta do que seria o teu apartamento. Puxaste-me pela cintura e levaste os dedos à minha boca.

‘Disseste que ias deixar que te tocasse. Quero certificar-me que és tu. Mesmo já tendo reconhecido a tua voz.’

Tocaste-me os lábios. Os olhos. Deslizaste os dedos pelos cabelos, até às pontas que tocavam o meio das costas. Subiste-os de novo e paraste na nuca. Veio o beijo. Não calmo. Não perscrutador. Mas intenso. Forte. Vibrante. D-E-V-O-R-A-D-O-R. Cheiravas a duche recente. Um cheiro bom. Encostada no teu corpo senti o efeito que te estava a causar toda aquela situação. Encontrava eco na humidade que eu sentia entre as coxas. Mas disso tu não sabias. Agarrei a tua mão com a minha mão direita, subi a saia, com a mão esquerda e levei os teus dedos ao meu sexo. Queria que sentisses o calor na tua pele. A humidade na ponta dos teus dedos. A tua língua penetrou mais a minha boca e apertaste os dedos de encontro a mim. Sentiste o estado em que eu estava.
‘Esta és tu. Sem dúvida’.
Abriste e entraste à minha frente. Fechei a porta nas minhas costas. Senti o impacto de entrar no teu espaço. Como se fosse um lugar proibido ao qual me fosse vedada a entrada. Mas estava lá. Naquele instante. E nada me poderia retirar aquele prazer.
‘Isto parece-me tão estranho’ – disseste-me em tom baixo e como se pudesses ler-me o pensamento – ‘Estares aqui. Entrares no meu mundo real. Não sei se…’
‘Não tenhas qualquer receio – interrompi-te – é a realização das fantasias trocadas. Agora. Neste momento. Aqui. Até ao momento em que a nossa vontade me diga para sair. E irei plenamente satisfeita. Deixando-te a ti satisfeito.’
Sorriste. Não me detive a analisar se seria um sorriso de alívio. Não era tempo para análises ou filosofias. Era tempo do prazer.

176

‘Levas-me à sala?’ – e peguei-te na mão.
Assim que entrámos na sala, empurrei-te para o sofá e ajoelhei-me à tua frente, pousando as mãos nas tuas coxas, ainda cobertas pelo fato de treino, sentindo como estavas quente. Obediente, não tentaste uma só vez tirar a venda dos olhos.
Deslizei as mãos por elas. Parei. Desejava-te tanto.
‘Toca-me.’
Subi os dedos e toquei no volume que notava a latejar de encontro à tua coxa.
‘Quero que me devores todo’
‘Não há nada que queira mais neste momento. Mas quero saborear cada minuto. Com calma.’
Ergui-me e puxei a tua camisola para a tirar pela cabeça. Despi-te da cintura para cima. Eu mantinha-me vestida: saia e camisola pretas, por cima de um conjunto de lingerie também preta. Meias e cinto de ligas. Ergui a saia e sentei-me ao teu colo, uma perna de cada lado da tua cintura, erguidas, de pés encostados aos teus quadris. O meu sexo completamente colado ao teu baixo-ventre. Comecei por te beijar os lábios, mordiscando o teu lábio inferior. Correspondias na perfeição com pequenos toques de língua. As mãos não conseguiste mantê-las sossegadas e levaste-as ao meu rabo para me apertares de encontro a ti.
‘Tst…tst. Ainda não. Quero-te sossegado. Usufrui.’
Deixei a boca descer pelo teu peito. Detive-me a olhar e beijei a pele suavemente. Com pequenos toques de língua, deixando uma humidade crescente por ti. Mordiscava aqui e ali.
‘Quero ouvir-te gemer baixinho.’ – disse-te ao ouvido. E não me fizeste esperar.
Passei as unhas pelos teus braços, para te arrepiar. Estremeceste. Não as uso longas, mas de um tamanho perfeito para vibrares quando as deslizo na tua pele. Passei-as pelo teu peito e baixei o rosto para te mordiscar um mamilo. Que vontade, W. Vontade de ti. Comecei a remexer-me, inquieta, em cima do teu corpo. Apetecias-me tanto. Quase me estava a enlouquecer aqueles momentos ali contigo. Sentia-te endurecer a cada segundo. Queria muito fazer durar aquele momento, mas foi-me impossível esperar mais. Ergui o corpo o suficiente para te puxar as calças até aos joelhos, afastei o fio dental para um lado, segurei no teu membro e enterrei-me nele. Assim. De um só movimento. De tão forte o impulso senti uma ligeira dor, mas o prazer de te sentir todo dentro de mim foi maior. Gemi. A surpresa ficou estampada no teu rosto.
‘Não aguento mais a espera. Quero vir-me contigo dentro de mim. Agora. Fode-me’
Agarraste-me com força pelas nádegas e puxaste-me mais de encontro ao teu baixo-ventre. Movimentei-me numa urgência como se o mundo fosse acabar daí a instantes. Apertava os calcanhares de encontro aos teus quadris enquanto acelerava os movimentos e te ouvia gemer.
´Vem-te, Su. Queres que te foda assim? É assim que gostas?
‘É. É assim que gosto que me fodas. Não páres.’
‘Toma tudo. Sente como estou enorme’.
‘Dá-me. Mais. Faz-me vir.’
‘Sente o meu caralho entrar todo em ti, anda, sente tudo. Vem-te’
Apertei-me com força para te engolir inteiro com o meu sexo. Gemi. Gritei. Estrebuchei. Vim-me, deixando que o meu néctar escorresse para as tuas coxas. Pele suada, cabelos húmidos, apertei-me de encontro ao teu pescoço. Sentia-te duro dentro de mim. Não te tinhas vindo ainda. Este orgasmo tinha sido só meu. Esta foda só minha. Agora era a tua vez. Saí de cima de ti e vi como estavas completamente molhado de mim.
Despi a camisola, tirei a saia e ajoelhei-me de novo no chão, entre as tuas pernas. Terminei de te despir. Sabias como eu te ia fazer vir.

[continua]

© Sutra

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Sutra, autora do Contos Secretos, site, blog, diário, contos, histórias reais e ficção.

One comment

  1. Profile photo of David Campos

    Muito bom!!!

    Continua, tás lá!

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